Em cada grupo da Copa do Mundo da África do Sul há pelo menos uma seleção em crise. Mas na francesa, do Grupo A, eliminada nesta terça-feira (22) em Bloemfontein, se instalou uma “tragicomédia”, como classificaram os jornalistas daquele país.
Havia descontentamento com o técnico Raymond Domenech desde a Eurocopa-2008 e foi preciso que Jean-Pierre Escalettes, o presidente da FFF (Federação Francesa de Futebol) pedisse tolerância para com ele, na disputa da Copa-2010.
Assim, os franceses tiveram de engolir Domenech, segundo o jornal Le Monde, por “cinco anos, 11 meses e 20 dias”.
A crise começou a borbulhar já no primeiro jogo (0 a 0 com o Uruguai). Teve crítica ao técnico até do mito Zinedine Zidane. O treinador foi xingado por Anelka, expulso da delegação pela FFF com apoio do treinador, que saiu falando em “traidor no grupo”. Depois, boicote ao treino de domingo (20) pelos jogadores.
Então foi a vez de Domenech denunciar que alguns dos atletas já haviam dito que não entrariam em campo na última partida, contra os sul-africanos.
Até o presidente Nicolas Sarkozy resolveu se meter na confusão, tentando salvar a honra da França ao pedir à ministra de Esportes e Saúde, Roselyne Bachelot, que estava na África do Sul, para falar com dirigentes, comissão técnica e atletas, antes do vexame final da eliminação, com o jogo da terça-feira (22).
De nada adiantou. A seleção francesa, campeã mundial na França-1998 e vice na Alemanha-2006, caiu ainda na primeira fase. E o jornal Le Monde atestou que “a Copa perdeu seus palhaços”.
No mesmo Grupo A, Carlos Alberto Parreira, que foi e voltou no cargo depois do mandato-tampão de Joel Santana, foi criticado pelo ex-jogador Radebe. Como outros tantos reclamaram, Parreira abriu mão de jogadores mais experientes, que jogam na Europa, para ficar com os “locais”. Foi o primeiro técnico de um país anfitrião a conseguir não colocar sua seleção pelo menos nas oitavas de final, em toda a história.
Ameaça de morte
No Grupo B, até “calmo” perto de outros com seleções em crise, a Nigéria teve o meia Sani Kaita ameaçado de morte depois de ser expulso no segundo jogo, contra a Grécia, e responsabilizado pela derrota (2 a 1). O técnico Shaibu Amodu foi demitido depois da classficação e o técnico sueco Lars Lagerback chegou à Copa com contrato assinado por cinco meses.
Quem manda?
Pelo Grupo C, a Inglaterra é a representante das seleções em crise. O zagueiro John Terry anunciou à imprensa que se faria uma reunião “para lavar roupa suja” com o técnico italiano Fabio Capello, depois dos empates com Estados Unidos (1 a 1, com “frango” do goleiro Robert Green) e Argélia (0 a 0, com outra decepcionante atuação de Wayne Rooney), assinalando que “se o técnico se lixa com isso, que se lixe”. O meio-campista Frank Lampard foi o encarregado de dizer que não havia problemas dentro do grupo, depois de Capello dizer “Eu que mando aqui, e não você, JT!”.
Sem crise
O Grupo D está limpo de crises – pelo menos até agora. A Alemanha perdeu da Sérvia (1 a 0), mas sobreviveu a uma ameaça de estremecimento pelo “crédito” da grande estreia com 4 a 0 – e bom futebol - sobre a Austrália.
Por pouco
No Grupo E, Camarões ficou à beira de uma polêmica com o técnico Paul Le Guen colocando Eto’o na ponta direita no primeiro jogo, contra o Japão (que fez 1 a 0). Contra a Dinamarca (que venceu com 2 a 1, gol de Camarões de Eto’o, que entrou em sua posição de origem, pela esquerda). Mas ficou nisso.
Tradição italiana
No Grupo F, a Itália faz valer sua tradição. Se não rachou em briga de campo aberto, já houve uma certa ameaça de confusão também depois de dois empates: 1 a 1 com o Paraguai e depois o mesmo resultado com a Nova Zelândia.
A atual campeã ainda não mostrou a que veio e o técnico Marcello Lippi já se colocou à frente para matar qualquer princípio de crise antes de começar. Disse que conversou com o grupo, que os jogadores têm de assumir a responsabilidade pelos dois resultados ruins, mas todos se decidiram por uma “blindagem” do grupo.
Reclamando do técnico
No Grupo G, Portugal teve uma ameaça de crise com o brasileiro naturalizado Deco reclamando do técnico Carlos Queiroz por fazer que jogasse “aberto pelo lado direito”, o que nunca tinha feito na vida, segundo disse. Depois, o jgoador voltou atrás, dizendo que nunca afrontou a autoridade do treinador. Mas não começou o segundo jogo, com dores nas costas.O Brasil vive um racha entre o técnico Dunga e a imprensa. A história pode rebater no próprio presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que teria liberado entrevistas para a TV Globo, na sequência vetadas pelo treinador.
E a Costa do Marfim já chegou dividida em duas turmas – a do Drogba e a dos “outros” -, mas o regime meio militar não deixou que isso afetasse a seleção.
É acreditar, por enquanto
A Espanha, no Grupo H, perdeu da Suíça (1 a 0) e fez “só” 2 a 0 contra Honduras, mas já foi o suficiente para acalmar a imprensa de seu país, que estava se sentindo humilhada pelas gozações mundo afora com a “Fúria”. Depois de tantas vezes chegar rugindo nas Copas e cair, desta vez a esperança se mantém.

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