segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dunga cassa folga de jogadores, mas ninguém reclama



Treinador usou assédio da imprensa como justificativa para não liberar atletas na folga

Dunga resolveu cassar a folga dos jogadores. O treinador decidiu não liberar os atletas nem para um sorvete ou para um volta em algum shopping center de Johannesburgo. Tudo para evitar o que aconteceu na semana passada, quando Robinho deu uma entrevista exclusiva. O técnico, que comprou briga com a Globo, resolveu isolar de vez seu time da imprensa. A tendência é que isso aconteça durante toda a Copa do Mundo.

- Liberar os jogadores para os jornalistas ficarem atrás deles para dar entrevista. Isso é trabalho. E eu não quero que meus jogadores trabalhem na folga. Então é melhor ficar no nosso hotel, descansar por lá e depois seguir jogando a Copa. É para isso que viemos até a África.

A intenção do treinador é controlar a informação de qualquer maneira. Não admite entrevistas exclusivas. Robinho tomou uma enorme bronca por ter falado sozinho com jornalistas. E teve de pedir desculpas ao grupo. Elano, que estava ao lado de Robinho e não falou, foi até elogiado, ganhou pontos importantes com Dunga.

A única concessão que o treinador deverá ser permitir a visita de esposas e familiares no hotel da seleção em Johannesburgo. Até as namoradas correm o risco de não serem aceitas. Só esposas. Lúcio, o capitão do time, diz que o que treinador decidir será acatado.

- O que o Dunga decidir está muito bom. Nós viemos aqui para fazer tudo para ganhar a Copa do Mundo. Ninguém vai reclamar, pedir folga.

A previsão de hoje é que apenas os reservas façam um leve treinamento à tarde.

Apesar da classificação antecipada para as oitavas de final, a partida contra Portugal é importante para o Brasil. Uma nova vitória garantirá a primeira colocação no grupo G e o primeiro jogo eliminatório da Copa em Johannesburgo, onde o Brasil mantém sua base neste Mundial. Embora ninguém tenha coragem de confirmar isso publicamente, o planejamento feito por Dunga, o supervisor Américo Faria e o presidente Ricardo Teixeira era este mesmo: liderança no grupo e o quarto jogo em Johannesburgo.

Sem Kaká, Dunga está entre Júlio Baptista e Daniel Alves. O meia da Roma pede uma chance.

- Eu estou esperando a minha chance. Sinto muito pela expulsão do Kaká. Mas se puder entrar contra Portugal, sei que vou poder ajudar.

Dunga só optará por ele se chegar à conclusão de que precisa de força física no meio de campo. Se for pela técnica, toque de bola, não vai nem pensar: Daniel Alves.

- Eu também estou só esperando ele me chamar. Posso e quero muito ajudar, jogando onde for.

Elano continua se recuperando da forte pancada que recebeu contra Costa do Marfim e está liberado para a partida. O comando da seleção brasileira não está preocupada com a análise da Fifa sobre a expulsão de Kaká. Todos os jogadores que recebem cartão vermelho na competição sofrem uma avaliação, se a pena terá de ser aumentada, passar de uma partida. Há a certeza absoluta que o meia ficará de fora apenas contra Portugal. No primeiro jogo das oitavas, ele estará de volta.

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